![]() Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte. E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em...bem, essa é a magia! Isso é SPOILER! Isso é cinema! TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE 101 Dálmatas 5 X 2 2 Filhos de Francisco 21 Gramas Abaixo o Amor Abraço Partido Aconteceu Naquela Noite Acquaria Adeus Lenin! Adorável Julia Adversário, O Agente da Estação, O Água Negra A.I. - Inteligência Artificial Albergue Espanhol Aladdin Alexandre Alfie - O Sedutor Alice no País das Maravilhas Aliens of the Deep Alien Vs.Predador Amadeus Amizade Sem Fronteiras, Uma Amor, Sublime Amor Anaconda 2: A Caçada da Orquídea Sangrenta Anjo da Morte, O Anjo de Vidro Antes do Pôr-do-Sol Anti-Herói Americano Aristogatas, Os Asas Atlantis - O Reino Perdido A um Passo da Eternidade Avental de Lili, O Aviador, O Balada para Satã Bambi Batman Begins Be Cool Bela Adormecida Bela e a Fera, A Beleza Americana Ben-Hur Bernardo e Bianca Bicicletas de Belleville Blade: Trinity Bob Esponja - O Filme Bom Dia, Noite Bonequinha de Luxo Branca de Neve e os Sete Anões Bridget Jones: No Limite da Razão Brigada 49 Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças Broken Flowers Buena Vista Social Clube Busca da Terra-do-Nunca, Em Cabaret Cabra-Cega Caçados por Sonhos Caché Caixa de Pandora Caldeirão Mágico, O Cama de Gato Camelos Também Choram Canção para Bobby Long, Uma Capitão Sky e o Mundo de Amanhã Carmen Carros Carruagens de Fogo Casa de Aréia Casa de Aréia e Névoa Casa Vazia, A Castelo Animado Cazuza: O Tempo Não Para Cellular Chamas da Vingança Chamado 2, O Chinatown Chung Ko. Cina Cidade Baixa Cidade de Deus Cimarron Cinderela CineGibi Cinema, Aspirinas e Urubus Código 46 Collateral Cold Mountain Como Era Verde Meu Vale Como perder um Homem em 10 Dias Constantine Contato de Risco Contra a Parede Contra Todos Coração Valente Corcunda de NotreDame, O Crimes em Wonderland Cruzada Dama e o Vagabundo, A Dalimatógrafo Dandelion Dear Wendy De Corpo e Alma Delamu De-Lovely Destino Desventuras em Série Dia Depois de Amanhã, O Dia do Perdão Diários de Motocicleta Dinossauros Dogville Don´t Come Knocking Doze Homens e Outro Segredo Dumbo Educadores, Os Efeito Borboleta Election Elefante Elektra Em Boa Companhia Em Carne Viva Em Nome de Deus Encantadora de Baleias Encontros e Desencontros Encoraçado Potemkin, O Entrando numa Fria Maior Ainda Entreatos Entre Casais Entre Dois Amores ...E o Vento Levou Escola de Rock Espada era a Lei, A Espanta-Tubarões Esplanglês Esquecidos, Os Esses Homens Maravilhosos com suas Máquinas Voadoras Estranho Mundo de Jack, O Estranho no Ninho, Um Eterno Amor Eu, Robô Exorcista: O Início Expresso Polar, O Face Oculta da Lua, A Fahrenheit 9/11 Família da Noiva, A Família Rodante Fantasia Fantasia 2000 Fantasma da Ópera, O Fantástica Fábrica de Chocolate, A Feiticeira, A Filho de Chucky, O Fome de Viver Forrest Gump Galinho Chicken Little, O Gandhi Garfield Gigi Gladiador Golpe de Mestre, Um Goonies, Os Gosto de Sangue Grito, O Guerra dos Mundos (1953) Guerra dos Mundos (2005) Guia do Mochileiro das Galáxias Harry Potter e o Cálice de Fogo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban Heimat HellBoy Herbie: Meu Fusca Turbinado Hércules Herói Hitch - Conselheiro Amoroso Home at the End of the World Homem-Aranha 2 Horas, As Horror em AmityVille Hotel Rwanda Incríveis, Os Ilha, A Imagens Belas e Sujas Imperdoáveis, Os Interpréte, A Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas Invasões Barbaras, As Irmãos Irmão Urso James Bond - Pte.1 James Bond - Pte.2 James e o Pessêgo Gigante Janela da Frente, A Jogador de Cartas Jogos Mortais Kedma Ken Park Kill Bill Vol.1 Kill Bill Vol.2 Kinsey Kramer Vs. 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6.7.07
Cinema sem fimOs 100 maiores filmes de todos os tempos
Difícil ordenar o pensamento com este tema tão complexo. O retrocesso faz lembrar o envolvimento de milhares de seres que contribuíram com suas criações em filmes, sonhos e manifestos que tanto nos estimularam. A história do cinema, graças aos seus inventores e obstinados criadores, foi a razão dessa lista da American Film Institute que este ano completa um ciclo ininterrupto de 10 anos. Escrevem-se histórias como se quer. As histórias podem ser manipuladas e aceitam a dialética e os caprichos de cada tempo. Mas o cinema é outra história. Ele é único e tem história própria. Só precisa de ajuda para chegar às suas platéias. Para resgatar auto-estimas. O cinema é a nossa motivação e energia para compreender um mundo que segue espantando por suas injustiças e pela falta de soluções. O cinema nos ensina e nos guia. Por suas luzes passamos a ser um pouco menos cegos. O cinema abre nossos olhos, enche-nos de sabedoria e energia. Transforma-nos em super-heróis sem que sejamos personagens de exceção. Com o cinema conseguimos viver histórias inesquecíveis. E, o melhor de tudo, vivemos histórias de cinema sem fim. Comemorando 40 anos de vida, o AFI resolveu revisar seus conceitos. "Cem anos, Cem filmes, Décimo aniversário" é o nome da premiação realizada. Críticos, historiadores e especialistas votaram para escolher os melhores filmes já realizados no cinema americano. Primeiro chegaram a 400 filmes e, destes, selecionaram os 100 mais importantes. E pela segunda vez, CIDADÃO KANE assumiu o primeiro lugar. O filme é baseado na vida do empresário William Randolph Hearst, que chegou a processar o cineasta Welles, então com 25 anos de idade. Indicado em nove categorias do Oscar, incluindo melhor filme e direção, levou apenas o de roteiro (Welles e Herman J. Mankiewicz). Logo atrás de CIDADÃO KANE aparece O PODEROSO CHEFÃO, assinado por Francis Ford Coppola. O interessante é que o filme estava em terceiro lugar há uma década. E roubou a posição que pertencia a outro clássico, CASABLANCA. Aliás, a lista do AFI neste ano foi um verdadeiro sobe-e-desce. TOURO INDOMÁVEL, de Martin Scorsese, antes ocupava o 20º posto e agora subiu para o quarto lugar da lista. UM CORPO QUE CAI, de Alfred Hitchcock, saiu da 61ª para a nona posição. E nesses anos saíram da lista outros clássicos como DR. JIVAGO (Posição Anterior 39), O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (44), A UM PASSO DA ETERNIDADE (52), AMADEUS (53), SEM NOVIDADES NO FRONT (54), O TERCEIRO HOMEM (57), FANTASIA (58), JUVENTUDE TRANSVIADA (59), NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (63), CONTATOS IMEDIATOS DE TERCEIRO GRAU (64), SOB O DOMINIO DO MAL (67), SINFONIA EM PARIS (68), O MORRO DOS VENTOS UIVANTES (73), DANÇA COM LOBOS (75), ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE (82), FARGO (84), O GRANDE MOTIM (86), FRANKESTEIN (87), PATTON - REBELDE OU HERÓI? (89), O CANTOR DE JAZZ (90), MY FAIR LADY (91), UM LUGAR AO SOL (92) e ADIVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR (99). Steven Spielberg foi o diretor mais representado com 5 filmes: ET, TUBARÃO, CAÇADORES DA ARCA PERDIDA, O RESGATE DO SOLDADO RYAN e A LISTA DE SCHINDLER. Spielberg também foi o mais lembrado em 97 (Embora CONTATOS IMEDIATOS... tenha cedido espaço para RYAN). Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Billy Wilder tiveram cada um, quatro filmes na lista. Frank Capra, Charles Chaplin, Francis Ford Coppola, John Huston e Martin Scorsese classificaram 3 filmes de sua filmografia. Robert De Niro e James Stewart foram os atores mais lembrados com 5 filmes. Faye Dunaway, Katharine Hepburn e Diane Keaton foram as atrizes melhor classificadas, emplacando 3 filmes cada uma. Três anos foram grandes marcos do cinema: 1982 (E.T., TOOTSIE, BLADE RUNNER, A ESCOLHA DE SOFIA); 1976 (REDE DE INTRIGAS, TAXI DRIVER, ROCKY, TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE) e 1969 (BUTCH CASSIDY, PERDIDOS NA NOITE, SEM DESTINO e MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA). INTOLERÂNCIA é o filme mais antigo e O SENHOR DOS ANÉIS é o mais recente, aliás é o único representante desse milênio. A decáda de 70, que marcou o fim da Era dos Estúdios, emplacou 20 filmes na lista e o cinema mudo, quem diria, citou 4 fitas. Como a mudança de várias posições chama atenção, o próprio AFI se encarregou de publicar uma explicação. De acordo com o Instituto, "o cinema americano reflete o momento atual do país e que algumas mudanças se devem ao mercado do DVD". A questão é que alguns clássicos, antes esquecidos, acabam sendo descobertos quando ganham a versão em DVD. Um exemplo dado pelo AFI é RASTROS DE ÓDIO, estrelado por John Wayne, considerado um dos maiores clássicos do faroeste e um dos mais importantes na carreira do diretor John Ford. Como o filme ganhou uma edição especial em DVD, restaurada, ele subiu do posto número 96 para o 12º lugar. A lista foi revelada na semana passada e já foi publicada em vários sites e blogs. Parece notícia velha, e na verdade é. Mas contrariando a pauta aqui do blog, resolvi fazer algo diferente e só consegui terminar a edição do post hoje. Abaixo, você leitor, confere cada um dos 100 filmes resenhados e com o logotipo original. Na realidade é um Potpourri de resenhas de jornalistas como Roger Ebert, Rubens Ewald Filho, Leon Cakoff, Fernando Albagli, Inácio Araujo e de alguns membros da Liga dos Blogs Cinematográficos. Além de resenhas pessoais minhas já publicadas no ínicio do blog, dentro do projeto Mosaico. Introdução de Leon Cakoff (Mostra SP) - Comentários de Marfil Cinema sem fim - Continuação...1
CIDADÃO KANE Orson Welles 1941 Posição Anterior: (1) Rosebud. A mais famosa palavra da história do cinema explica tudo e não explica nada. Quem, em razão disso, realmente ouviu Charles Foster Kane pronunciá-la antes de morrer? Rosebud é um emblema de segurança, da esperança e da inocência da infância, cuja procura, um homem pode dedicar toda uma vida. Mas é um mistério...Uma demonstração notável de que nada pode ser explicado. CIDADÃO KANE adora brincar com esses paradoxos. E nós adoramos assisti-los. E a crítica, novamente, o cita como o melhor filme de todos os tempos. 2
O PODEROSO CHEFÃO Francis Ford Coppola 1972 Posição Anterior: (3) O PODEROSO CHEFÃO é contado inteiramente dentro de um mundo fechado. Essa, talvez, seja a razão pela qual simpatizamos com os personagens que são essencialmente maquiavélicos. A estoria é um numero de mágica brilhante, convidando-nos a refletir sobre a máfia a partir de seus próprios príncipios e ali está o seu segredo, o seu charme e seu encanto; e desde entãó, tem sido o conceito público sobre a máfia. O mundo real é substituido por um autoritário paatriarcado, onde o poder e a justiça emanam do Padrinho, e os únicos vilões são os traidores. 3
CASABLANCA Michael Curtiz 1942 Posição Anterior: (2) Se nos identificamos fortemente com os personagens de alguns filmes, então não há qualquer mistério em CASABLANCA ser um dos mais populares filmes jamais realizados. O tema: um homem e um mulher que se amam e que sacrificam o seu amor por um objetivo maior. Isso tem muito apelo: o público consegue se imaginar conquistando o amor de Humprey Bogart ou de Ingrid Bergman, e renunciando a ele com abnegação, como uma contribuição para a nobre causa da vitória sobre os nazistas. Revendo o filme por mais e mais vezes, ano após ano, eu acho que ele nunca parece se esgotar. Lembra um albúm de músicas favoritas: quanto mais eu conheço, mais eu gosto dele. "Toque outra, Sam. Pelos velhos tempos..." 4
TOURO INDOMÁVEL Martin Scorsese 1980 Posição Anterior: (24) TOURO INDOMÁVEL é o mais doloroso e angustiante retrato do ciúme no cinema - um Otelo dos nossos tempos. É o melhor filme que eu já vi sobre baixa auto-estima, inadequação sexual e o medo que faz alguns homens abusarem as mulheres. O boxe é a arena, não o motivo. LaMotta ficou famoso por nunca ter sido nocauteado sobre um ringue. Há cenas em que ele está passivamente parado, as mãos para os lados, permitindo que o inimigo o golpeasse. mas nós intuimos por que ele nunca caiu. Ele se machucava demais para permitir que a dor parasse. 5
CANTANDO NA CHUVA Gene Kelly & Stanley Donen 1952 Posição Anterior: (10) Mesmo que alguém ainda não tenha visto esse filme, talvez o melhor e insuperável musical já realizado por Hollywood, pelo menos uma sequência todos conhecem: aquela em que Gene Kelly sapateia em poças d'água debaixo da chuva segurando um guarda-chuva, cantando a inesquecível ''Singin' in the Rain''. Trata-se de um triunfo da indústria americana de cinema. A dobradinha Stanley Donen/Gene Kelly, que assina a direção, construiu uma obra-prima que transborda uma alegria contagiante. O filme é uma sátira, um exercício de ironia que narra a época das produções cinematográficas dos anos 1920, quando se aproxima a transição do cinema mudo para o sonoro. 6
...E O VENTO LEVOU Victor Feming 1939 Posição Anterior: (4) E O VENTO LEVOU é um dos pilares do cinema. Porque conta uma boa estoria, e a conta magnificamente bem. O filme ainda estará por aqui por muitos anos, um estupendo exemplo da arte de Hollywood e uma cápsula do tempo da desagregação do sentimentalismo para um Civilização que o vento levou, está bem - levou, mas não esqueceu... 7
LAWRENCE DA ARÁBIA David Lean 1962 Posição Anterior: (5) Que ato corajoso, louco e genial foi realizar LAWRENCE DA ARÁBIA, ou até pensar que ele pudesse ser produzido. O impulso de fazer esse filme, se baseou acima de tudo, na imaginação. Imagine como seria uma pequena mancha no horizonte do deserto, crescendo lentamente até se transformar num ser humano. E eis a sutileza da delicada fotografia, conseguida apesar do calor sufocante e do sopro da areia que não parava de entrar nas camêras. LAWRENCE DA ARÁBIA é um filme sobre o deserto, sobre moral e ética, sobre governo, sobre resistência física, sobre covardia e coragem, sobre nacionalismo, sobre companheirismo e individualismo e, por fim, sobre como contar uma história sobre tudo isso com imagens tão bonitas e interpretações tão viscerais. Peter O'Toole tê uma das melhores interpretações da história do cinema. 8
A LISTA DE SCHINDLER Steven Spielberg 1993 Posição Anterior: (9) Um filme sobre o Holocausto. E nas ruínas da pior história do século XX, Spileberg não encontrou um final feliz, mas ao menos a afirmação de que é possível resistir ao mal e até vencê-lo. O filme começa com uma lista de judeus que estão sendo confinados num gueto. Termina com uma lista dos que conseguiram se salvar. A lista é um bem absoluto. A lista é vida. Tudo à sua volta é aterrorizador... 9
UM CORPO QUE CAI Alfred Hitchcock 1958 Posição Anterior: (61) Um homem se apaixona por uma mulher que não existe, e agora ele condena severamente a mulher verdadeira que a personificara. Mas há ainda muito mais do que isso. A verdadeira mulher se apaixonara por ele. Ao tentar enganá-lo, ela terminou por enganar a si mesma. E o homem, ao preferir seu sonho à mulher que estava parada diante dele, perderia as duas... 10
O MÁGICO DE OZ Victor Fleming 1939 Posição Anterior: (6) Na década de 30, os filmes em si representavam um mistério tão extraordinário que, se eles quisessem ser em Preto & Branco, seria em razão de uma decisão deles. Mas quando Doroty foi expelida do Kansas em direção a Oz, é que se percebe a diferença entre o P&B e o colorido. E então, percebemos uma significativa ressonância: O MÁGICO DE OZ ocupa um grande espaço em nossa imaginação e de alguma forma, parece real e importante de um jeito que a maioria dos filmes não parece. Porque será? Talvez seja que além do arco-íris esteja uma fascinante e assustadora vastidão do universo. Em todas as suas cores... 11
LUZES DA CIDADE Charles Chaplin 1931 Posição Anterior: (76) Se somente um dos filmes de Charles Chaplin pudesse ser preservado, o que mais se aproximaria de representar todas as suas facetas de gênio seria LUZES DA CIDADE. Ele inclui o bastão do palhaço, o patético, a pantomima, a hábil coordenação motora, o melodrama, a maldade, a indecência, a graça, e, logicamente, o Adorável Vagabundo 12
RASTROS DE ÓDIO John Ford 1956 Posição Anterior: (96) RASTROS DE ÓDIO contém cenas magníficas, além de um dos melhores desempenhos de John Wayne, sendo um dos filmes mais influentes da história dos EUA. E, no entanto, a questão central do filme é díficil porque o personagem de Wayne é um rascista indesculpável. Será que o filme pretende endossar-lhe essa atitude, ou dramatizar e lamentá-lo? Hoje é possível admirá-lo com um olhar mais esclarescido, porém em 1956, muitas platéias aceitavam aquela maneira de encarar os índios. Mas na visão falha de RASTROS DE ÓDIO podemos perceber Ford, Wayne e o próprio faroeste aprendendo de modo canhestro que um homem que odeia os índios não pode mais ser um herói. 13
STAR WARS George Lucas 1977 Posição Anterior: (15) Rever STAR WARS passados 30 anos é revisitar um lugar na nossa memória. O épico espacial estabeleceu colônias na nossa imaginação, e fica difícil olhar para trás e vê-lo somente como um filme, pois é hoje, sem duvida, parte das nossas lembranças. Ele é tão bobo quanto um conto infantil, tão superficial quanto os seriados de sábado à tarde, tão batido quanto o milho do Kansas em agosto – e uma obra prima. 14
PSICOSE Alfred Hitchcock 1960 Posição Anterior: (18) “Não era uma mensagem que mexia com o público, nem era uma grande performance...eles foram excitados por um simples filme”. Foi isso que Hitchcook disse a Truffaut a respeito de PSICOSE. Mas o que faz do filme algo imortal, ao contrario de tantos filmes cuja metade esquecemos assim que deixamos o cinema, é que ele se conecta diretamente com nossos medos: o medo de que impulsivamente possamos cometer um crime, nosso medo da polícia, nosso medo de sermos vitimas de um maluco e, certamente, nosso medo de desapontar nossas mães. 15
2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO Stanley Kubrick 1968 Posição Anterior: (22) 2001 é uma raridade entre os filmes de ficção cientifica, pois não esta preocupado em nos excitar, mas em inspirar nossa reverencia. Boa parte desse efeito se deve à sua trilha musical, mas 2001 vai além...O filme nos diz que nos transformamos em seres humanos quando aprendemos a pensar. Nosso cérebro nos deu os instrumentos para entender onde vivemos e quem somos. Agora chegou a hora de dar o próximo passo, de saber que vivemos não num planeta, mas entre as estrelas, e de que não somos carne, mas inteligência. 16
CREPÚSCULO DOS DEUSES Billy Wilder 1950 Posição Anterior: (12) CREPÚSCULO DOS DEUSES é um retrato sobre uma esquecida estrela do cinema mudo, vivendo no exílio dentro da sua grotesca mansão e revendo filmes velhos, sonhando com o seu retorno. Mas é também uma estória de amor, e este amor permite que o filme não seja tão banal como um trabalho em cera ou show de aberrações. E numa das maiores performances do cinema, Gloria Swanson desliza pelos limites da parodia. 17
A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM Mike Nichols 1967 Posição Anterior: (7) A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM poderia facilmente degenerar para uma agradável, mas descartável farsa de alcova, acabou se revelando uma inteligente sátira social, repleta de diálogos afiados, interpretações soberbas e uma direção impecável, de um jovem estreante, mas muito promissor Michael Nichols. 18
A GENERAL Clyde Bruckman & Buster Keaton 1927 Posição Anterior: (NEW) A GENERAL é um épico da comedia do cinema mudo, um dos filmes mais caros da sua época, incluindo uma acurada recriação de um episodio da Guerra Civil, centenas de figurantes, seqüências perigosas de dublês e uma locomotiva de verdade caindo de uma ponte em chamas num despenhadeiro. Além, é claro de Buster Keaton. 19
SINDICATO DE LADRÕES Elia Kazan 1954 Posição Anterior: (8) “Consciência. Esse negocio pode levar você à loucura”. É o que diz Terry Malloy, o estivador que testemunha contra o seu sindicato em SINDICATO DE LADRÕES. Esta fala, dita por Marlon Brando, ecoa por todo o filme, pois o enredo é sobre a consciência – e assim é a história por trás da estória...Já que Elias Kazan, seu diretor, foi um dos principais delatores da famosa Lista Negra da HUAC, Comitê de Atividades Anti-Americanas. 20
A FELICIDADE NÃO SE COMPRA Frank Capra 1946 Posição Anterior: (11) O que é mais notável em A FELICIDADE NÃO SE COMPRA é como ele se mantem há tantos anos; é um desse filmes que não envelhecem,e que som melhoram com o tempo. Alguns filmes, mesmo sendo bons, foram feitos para se ver somente uma vez. Quando tomamos conhecimento de como terminam, perdem seu mistério e apelo. Outros filmes podem ser vistos por um indefinido numero de vezes e como a grande musica, crescem com a familiaridade. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA pertence ao segundo grupo. 21
CHINATOWN Roman Polanski 1974 Posição Anterior: (19) "Esqueça, Jake. É Chinatown". A célebre frase que encerra o filme de Roman Polanski não poderia ser mais irônica ao pensarmos sobre a obra-prima realizada aqui. Como esquecer as magníficas atuações da trinca de ouro Jack Nicholson, Faye Dunaway e John Huston? Como esquecer os afiados diálogos escritos por Robert Towne? Como esquecer a direção precisa e desapressada de Polanski? Como esquecer a trilha sonora de Jerry Goldsmith? Impossível. Chinatown permaneceu como clássico a seu próprio modo, contrariando as expectativas de um filme noir comum para se tornar um excepcional exemplar do gênero, que, como uma meticulosa investigação, nos leva a descobrir pouco a pouco, e a cada revisão, as nuanças de sua perfeição (Renato Silveira - LBC). 22
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR Billy Wilder 1959 Posição Anterior: (14) “Olhe como ela anda. Parece gelatina sobre molas. Deve ter algum tipo de motor embutido. Vou te contar, é um sexo totalmente diferente”. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR é um dos mais duradouros tesouros do cinema, um filme de inspiração e meticulosa confeccção, um filme que não é nada mais do que sexo, embora simule ser sobre crimes e ganância, impregnado com o proverbial cinismo de Wilder. E que dádiva da natureza e que obra de arte é Marilyn Monroe... 23
AS VINHAS DA IRA John Ford 1940 Posição Anterior: (21) VINHAS DA IRA é uma parábola de esquerda dirigida por um diretor de direita, que conta como o filho de um meeiro, um brigão de bar, se converte em organizador de sindicato. A mensagem é corajosamente revelada, mas por meio de personagens de tamanha simpatia e com imagens de tamanha beleza que o publico sai do cinema sentindo mais piedade que raiva ou resolução. Trata-se de um filme de mensagem, e não um pôster de recrutamento 24
E.T. - O EXTRATERRESTRE Steven Spielberg 1982 Posição Anterior: (25) 25 anos depois, E.T. - O EXTRATERRESTRE, uma tocante fábula sobre a amizade entre um menino especial e um extraterrestre, permanece tão forte quanto antes. É refrescante rever como o filme acontece a partir do olhar das crianças. O único adulto a mostrar o rosto durante os dois primeiros terços do filme é a mãe. E ela não é propriamente "gente grande", já que os filhos a dominam e ela reage infantilmente ao abandono do marido. E embora ET agisse como criança, tinha mais de 500 anos de idade. Isso não importa, pois Spielberg deixou esse detalhe em aberto. Esse é o emblema de um grande cineasta. 25
O SOL É PARA TODOS Robert Mulligan 1962 Posição Anterior: (34) Em O SOL É PARA TODOS, um negro é injustamente acusado de um crime, e só o reto advogado Gregory Peck se dispõe a defendê-lo. Como se vê, nesse tempo, mesmo num cinema liberal, só brancos podiam dar as cartas. Tratava-se de um cinema que tinha por objetivo central, no fim das contas, convencer os próprios brancos de que os privilégios raciais pode determinar cisões mais profundas. Cinema sem fim - Continuação...26
A MULHER FAZ O HOMEM Frank Capra 1939 Posição Anterior: (29) Frank Capra é um gênio através de seus filmes, cujos temas sempre giram em torno da situação do ser humano em querer ser algo a mais. Em A MULHER FAZ O HOMEM, James Stewart faz o papel de um moço que vai assumir um cargo político em Washington e acaba se decepcionando com o sistema político do país, com toda sua corrupção e falta de vontade de seus representantes. O filme causou um enorme furor na mídia estadunidense na época de seu lançamento pelo fato de mostrar a corrupção do governo de forma tão cotidiana, o que levou alguns a chamá-lo de anti-americano 27
MATAR OU MORRER Fred Zinneman 1952 Posição Anterior: (33) Usando um recurso raríssimo no cinema, Zinnermann filma sua história em tempo real: os relógios da torre da igreja, da estação de trens, do saloon, vão mostrando os minutos até que, às 12 horas, Frank Miller desembarca. Minutos depois, Will Kane retira do peito uma estrela de lata e a deixa cair na terra poeirenta da rua principal de Hadleyville. MATAR OU MORRER É o chamado western na linha psicológica: o medo, a angústia estampada no rosto de cada personagem, a lealdade, a gratidão, a fuga. comportamento apático e passivo que uma enorme parte dela teve em relação à caça às bruxas deflagrada pelo senador Joseph McCarthy. 28
A MALVADA Joseph L. Mankiewicz 1950 Posição Anterior: (16) "Toda a maldita confusão de minha vida - outro divórcio, minha permanente necessidade de amar, minha solidão. Eu compreendia Margo Channing muito bem. Tinha dificuldade de lembrar que estava atuando." (Bette Davis, atriz) Evelhecer foi um avanço considerável para Bette Davis, mulher de personalidade madura, inquieta e astuta. Nunca inteiramente confortável no papel de ingênua, era gloriosa como uma profissional, uma sobrevivente, ou uma maliciosa predadora. Sua interpretação da veterana atriz margo Channing foi seu maior papel; parece mostra-la derrotada pelos truques de uma jovem atriz, mas na verdade marca uma vitória, o triunfo da personalidade e da vontade sobre a força superficial da beleza. 29
PACTO DE SANGUE Billy Wilder 1944 Posição Anterior: (38) Poucos diretores realizaram tantos filmes tão tensos, inteligentes, cínicos e com tantas formas e tons incomuns e diferenciados. PACTO DE SANGUE foi o terceiro filme de Billy Wilder. Tão cedo na sua carreira e já tão convencido a ponto de abrir um filme de suspense com estas linas: “Eu o matei por dinheiro – e por uma mulher. Eu não consegui o dinheiro. Também não consegui a mulher”. E termina com o heroi dizendo “Eu também te amo” 30
APOCALYPSE NOW Francis Ford Coppola 1979 Posição Anterior: (28) "O horror... O horror...". Sabe aquele breve momento que só existe numa sala de cinema, quando as luzes se apagam, a tela fica escura e esperamos ansiosos pela luz capaz de nos guiar para longe das trevas? Este momento demora quase uma eternidade em APOCALYPSE NOW. E enquanto a luz não chega, o som se aproxima. Dúbio. Até que numa imagem, que se abre em verde e azul, uma sombra parece explicar: "é um helicóptero!". Mas não é. O som é outro. É o rotor do nosso próprio cérebro pegando no tranco para se capacitar (nem sempre plenamente) para a viagem. E que viagem. Entre devaneios, explosões, loucura e coerência, destacam-se as fusões que nunca se concretizam por completo. Cenas coladas num vai-e-vem. Indissociáveis. Unindo Kurtz e Willard, Marlon e Walter, Sheen e Benjamin, Coppola e Eu, ou Você, ou Todos Nós. This is the end, beautiful friend (William Wilson - LBC). 31
RELÍQUIA MACABRA John Huston 1941 Posição Anterior: (23) Entre os filmes que não somente amamos, mas também cultivamos, RELÍQUIA MACABRA se posiciona como um marco divisório. Foi o primeiro filme noir, gênero que consolidou as ruas escusas, os heróis à beira do abismo, das imagens escuras e mulheres fatais. 32
O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 2 Francis Ford Coppola 1974 Posição Anterior: (32) O PODEROSO CHEFÃO é contado inteiramente dentro de um mundo fechado. Essa, talvez, seja a razão pela qual simpatizamos com os personagens que são essencialmente maquiavélicos. A estoria é um numero de mágica brilhante, convidando-nos a refletir sobre a máfia a partir de seus próprios príncipios e ali está o seu segredo, o seu charme e seu encanto; e desde entãó, tem sido o conceito público sobre a máfia. O mundo real é substituido por um autoritário paatriarcado, onde o poder e a justiça emanam do Padrinho, e os únicos vilões são os traidores. 33
UM ESTRANHO NO NINHO Milos Forman 1975 Posição Anterior: (20) Em tom de comédia macabra, UM ESTRANHO NO NINHO pretende ser um grito à liberdade do indivíduo diante da opressão, uma forma diferente de apresentar a velha luta tantas vezes explorada pelo cinema: Homem contra Sistema. Adaptado do best-seller influente de Ken Kesey, o enredo é altamente eficaz em retratar o sanatório, o uso de drogas, os eletrochoques e a lobotomia como métodos de repressão ao livre-arbítrio humano. Numa época em que a crença é a submissão, o desempenho de Nicholson vence e prevalece enquanto representação do espírito purificador, que vez em quando, aparece para nos renovar 34
BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES David Hand & Walt Disney 1937 Posição Anterior: (49) Se BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES, fosse basicamente sobre Branca de Neve, teria sido logo esquecido depois do lançamento em 1937 e hoje seria apreciado apenas por motivos históricos, por ser o primeiro longa-metragem de animação a cores. Para dizer a verdade, a personagem Branca de Neve é um pouco enfadonha, nada atuante, mas sua existência inspira outros a agirem. Ao longo dos anos, o erro da maioria dos inúmeros imitadores de Disney tem sido confundir os títulos dos filmes com o assunto. BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES não trata apenas de Branca de Neve e do Príncipe Encantado, mas também dos sete anões e da Rainha Má e de um sem-número de seres da floresta e dos céus, desde o pássaro azul que enrubesce até a tartaruga que passa a vida inteira tentando subir um lance de escadas. 35
NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA Woody Allen 1977 Posição Anterior: (31) NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA contem mais sutilezas intelectuais e referencias culturais do que qualquer outro dos premiados com o Oscar de melhor filme e, ao obter esse premio, derrotou STAR WARS. Essa vitória marcou o inicio da carreira de Woody Allen como cineasta e assinalou o fim da era de ouro dos filmes norte-americanos da década de 70. o filme é inteiramente construídos de diálogos familiares e se concentra em conversas e monólogos e os movimentos são tão rápidos , intensos e vigorosos que talvez não se perceba a longa duração de algumas tomadas. 36
A PONTE DO RIO KWAI David Lean 1957 Posição Anterior: (13) Loucura! Loucura... loucura!” Embora os dois personagens mais importantes de A PONTE DO RIO KWAI sejam ambos loucos, o heroi mais que o vilão, não se sabe ao certo o que se pretendia com aquela ultima frase. Quando David Lean morreu, em abril de 1991, os obituários de jornais e revistas recorreram a um substantivo, e não a um adjetivo, para defini-lo. Foi chamado de mestre. Em seus épicos intimistas, Lean sempre foi considerado um estudioso do comportamento humano. O personagem leaniano típico é um alienado - como o militar interpretado por Alec Guinness em "A Ponte do Rio Kwai" ávido em construir uma ponte sobre o Rio com toda a eficiência da engenharia britânica, mas sem se dar conta de que a referida ponte será usada para o transporte de tropas e armamentes dos japoneses. Recebeu 6 OSCARs, inclusive Filme, Diretor e Ator, Mas não Trilha Sonora... Justamente a marcha assoviada pelos presos no campo, quando Guiness é levado para sua jaula, que virou um marco da história do cinema 37
OS MELHORES ANOS DE NOSSAS VIDAS William Wyler 1946 Posição Anterior: (37) Muita gente achava que as platéias americanas não gostariam de ficar sendo lembradas dos acontecimentos da recém terminada Segunda Guerra Mundial. Mas OS MELHORES ANOS DE NOSSAS VIDAS, produzido pelo veterano Samuel Goldwyn e dirigido por William Wyler, é tão sensível e retrata tão bem os problemas enfrentados pelos soldados que voltavam da guerra para a vida civil, encontrando um mundo diferente daquele que tinham deixado, que foi um sucesso de critica e publico, ganhando sete oscars e outros prêmios importantes, dentro e fora dos EUA. 38
O TESOURO DE SIERRA MADRE John Huston 1948 Posição Anterior: (30) O TESOURO DE SIERRA MADRE é uma estória que obedece à tradição de usar a aventura não como um fim em si mesma, mas como teste dos personagens. Envolve discordâncias morais entre um velho sábio e um paranóico de meia-idade, que forçam um rapaz a tomar partido. A estória é contada com entusiasmo, provocando varias risadas, algumas engraçadas, outras amargas e irônicas. 39
DR. FANTÁSTICO Stanley Kubrick 1964 Posição Anterior: (26) "De quem ganhou a alcunha de diretor frio e sério, é de se surpreender que Kubrick conseguiria a perfeição que sempre buscou (também) em sua primeira (e única) aproximação ao gênero humorístico. Dr. Fantástico é uma fantasia surrealista, irônica e anárquica que se diverte, sem concessões, com a psicose coletiva de uma geração atormentada pelo perigo de uma guerra nuclear. Kubrick espanta os fantasmas com a força do riso, alterna farsa e drama, comédia e reflexão, crítica ácida e admirável domínio técnico para narrar essa delirante odisséia imaginativa desenvolvida em apenas três cenários minuciosamente construídos e com interpretações caricaturais notáveis de George C. Scott e do versátil Peter Sellers" (Rudá Lemos - LBC). 40
A NOVIÇA REBELDE Robert Wise 1965 Posição Anterior: (55) A NOVIÇA REBELDE é um dos melhores musicais já realizados, um dos melhores filmes já produzidos. O incrível é que pode se passar anos e anos, que este lindo filme vai continuar tocando corações de todas as gerações, tanto na excelente trilha musical, quanto nos atores, as crianças dão um show a parte, e Julie Andrews foi imortalizada por esse filme, é tanta emoção que é bem díficil expressar. A cada cena do filme uma surpresa! 41
KING KONG Merian C. Cooper & Ernest B. Schoedsack 1933 Posição Anterior: (43) Entre todos os filmes de monstros gigantes que o cinema já produziu, KING KONG é o principal deles. Lançado em 1933, o filme arrecadou 90 mil dólares no final de semana de estréia nos Estados Unidos, um novo recorde para a época, e transformou-se logo em um clássico. Hoje, Kong é um dos principais ícones do cinema de todos os tempos, e já serviu de inspiração para centenas de outros diretores ao longo dos anos. Mais que uma façanha técnica. É também uma fabula curiosamente tocante, na qual a fera não é vista como um montro destruidor, mas como uma criatura que quer agir corretamente, pelo menos, a seu modo... 42
BOYNE & CLYDE: UM RAJADA DE BALAS Arthur Penn 1967 Posição Anterior: (27) BOYNE & CLYDE: UM RAJADA DE BALAS abre com uma bofetada na cara. Os cinéfilos jamais tinham visto algo semelhante na época. No tom e na independência, ele descende da nouvelle vague francesa sendo, sem duvida, o filme da década de 60! 43
PERDIDOS NA NOITE John Schlesinger 1969 Posição Anterior: (36) PERDIDOS NA NOITE não desaba num romantismo por causa da dupla central. Dustin Hoffman não consegue fugir a uma certa caricatura, mas Voight consegue passar o ser humano de trás da limitações da inteligência do personagem. A direção é bem de época, com efeitos barrocos. Lançou uma canção que se tornou sucesso: "Everbody´s Talking". Apesar de ser um filme essencialmente sobre a solidão, tem momentos de humor e calor humano. Mas um final trágico... 44
NÚPCIAS DE ESCÂNDALO George Cukor 1940 Posição Anterior: (51) 45
OS BRUTOS TAMBÉM AMAM George Stevens 1953 Posição Anterior: (69) "Não há como conviver com assassinato. Não há volta. Certo ou errado, ele deixa uma marca, uma marca que fere". Esta é uma das poucas verdades ditas expressamente em OS BRUTOS TAMBÉM AMAM, uma história aparentemente simples, mas que tem suas maiores virtudes naquilo que apenas insinua. 46
ACONTECEU NAQUELA NOITE Frank Capra 1934 Posição Anterior: (35) Um filme incrivelmente engraçado, sutil, inteligente, gracioso. Claudette Colbert é Ellie Andrews uma moça rica, mimada e rebelde que foge de seu pai milionário, para se encontrar com seu noivo em Nova York. Ao fugir ela se depara com Peter Warne ( Clark Gable ), um repórter que perdeu o emprego e luta para consegui uma nova reportagem. Eles fazem um pacto onde ele ajudaria ela na viagem enquanto ela lhe daria a tão sonhada reportagem "Em Busca do Amor". Além da história ser uma delícia de ser acompanhada, o que faz o filme tão bom é a direção sofisticada de Capra, um exímio contador de histórias. O filme reserva momentos incríveis como: a cena em que os dois comem cenoura crua; o Muro de Jericó ( um cobertor ); as lições de Peter sobre como um homem deve se despir, ou como molhar uma rosquinha no café sem que ela fique muito mole; quando o casal atravessa o rio. Mas a melhor é a cena da carona, só vendo para crer. O elenco está impecável, a dupla Colbert-Gable é perfeita 47
UMA RUA CHAMADA PECADO Elia Kazan 1951 Posição Anterior: (45) 48
JANELA INDISCRETA Alfred Hitchcock 1954 Posição Anterior: (42) O herói de JANELA INDISCRETA vive preso a uma cadeira de rodas e nos também ficamos presos. Presos ao seu ponto de vista, à sua falta de liberdade a às suas opções limitadas. Quando ele passa longos dias e longas noites descaradamente espreitando em segredo os vizinhos, nos compartilhamos dessa obsessão. Sabemos que é errado bisbilhotar. Sabemos que é errado espionar os outros, mas, afinal, quem vai ao cinema não é também voyeur? Este filme trata de um homem que faz na tela o que nos fazemos na platéia: examina através de uma lente as vidas privadas de estranho. 49
INTOLERÂNCIA D. W. Griffith 1916 Posição Anterior: (NEW) 50
O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL Peter Jackson 2001 Posição Anterior: (NEW) A historia virou lenda. A lenda virou mito. O sucesso de O SENHOR DOS ANÉIS em condições tão adversas (basta se ver a quantidade de erros e fracassos que Hollywood produz a cada ano), adaptando uma obra tão difícil e monumental, é realmente algo a ser louvado e celebrado. Tanto que certamente os fãs, antigos e novos, ainda vão querer assistir às outras edições (por uns anos ainda teremos filhos dele, até um dia chegar a um único filme unindo os três episódios). É curioso como se tem menos a dizer quando se gosta de um filme. Malhar é até mais fácil. De qualquer forma, O SENHOR DOS ANÉIS é uma grande trilogia. Cinema sem fim - Continuação...51
AMOR SUBLIME AMOR Robert Wise & Jerome Robbins 1961 Posição Anterior: (41) A dança é notável, diversas canções tornaram-se clássicas e o filme tem momentos extraordinários de força e verdade. AMOR, SUBLIME AMOR permanece um marco na historia. Porém, se o drama fosse tenso como a coreografia, se os desempenhos dos protagonistas atingisse o nível de força e densidade de Rita Moreno, se as gangues fossem mais perigosas e menos parecidos com garotos malvados de HQ, se o final tivesse conseguido o nível do original de Shakespeare, seria impossível imaginar o resultado. 52
TAXI DRIVER Martin Scorsese 1976 Posição Anterior: (47) Martin Scorsese é um diretor fascinado por personagens que não possuem um mundo exterior muito atrativo, muito cheio de acontecimentos, pessoas, enfim, personagens que não conseguem conviver muito bem com a sociedade que as rodeiam. Essas personagens também costumam refletir uma faceta muito crua da América e de sua situação. Em Taxi Driver, esse esquema não é diferente. Aqui temos Travis Bickle, um sujeito claramente abalado pela guerra do Vietnã e em processo de auto-destruição, processo esse que acompanha a degradação moral pela qual ele vê seu país passar através dos retrovisores de seu táxi nas noites da considerada capital do mundo, Nova York. Taxi Driver não está simplesmente no topo da minha lista dos anos 70. Está no topo da minha lista do cinema (Daniel Pilon - LBC). 53
O FRANCO ATIRADOR Michael Cimino 1978 Posição Anterior: (79) 54
M*A*S*H Robert Altman 1970 Posição Anterior: (56) Altman amava fazer filmes. Ele amava o caos das filmagens e a socialização entre equipe técnica e atores -ele adorava atores-, amava a ilha de edição e gostava especialmente de ficar sentado na sala de projeção assistindo ao filme várias vezes seguidas. Ele não ligava para o retorno financeiro das coisas, não dava bola para a publicidade, mas, quando trabalhava, estava no céu. Não foi diferente em M*A*S*H. Num momento de ampla contestação à Guerra do Vietnã. Ele demoliu a um só tempo a guerra, o militarismo e o cinema de guerra. 55
INTRIGA INTERNACIONAL Alfred Hitchcock 1959 Posição Anterior: (40) 56
TUBARÃO Steven Spielberg 1975 Posição Anterior: (48) Muitos consideram TUBARÃO o marco da existência - e dominação - dos blockbusters. Outros o vêem como mais um exemplo do cinema comercial de Spielberg com um visual antiquado. Sinceramente, não importa a denominação que dêem ao filme, ele é genial. O nascimento de um dos diretores mais importantes do cinema atual - seja amado ou odiado - imortalizando aquilo que sempre soube fazer: entreter. O suspense dinâmico do filme; o clima de empreitada mal resolvida; um monstro falso, que, graças à montagem e à brilhante trilha sonora de John Williams, tornou-se assustador; a câmera passeando pelas águas, marasmada, até o ápice quase hitchcockiano... Tubarão é certamente um marco, um marco para o cinema de aventura que engloba dos mais diversos gêneros e emoções: pulsante, vibrante e enigmático [imaginem agora a música ao fundo: ta rã, ta rã, tarã, tãrã, tãrãrãrã...] (Gabriel Carneiro - LBC). 57
ROCKY John G. Avildsen 1976 Posição Anterior: (78) Em 1976, os americanos estavam descontentes: havia o clima de derrota na guerra do Vietnã, o escândalo de Watergate; enfim, a vergonha de ser americano. Foi preciso o cinema criar um herói como Rocky Balboa, um símbolo ufanista, para mostrar à América como uma terra de oportunidades. 58
EM BUSCA DO OURO Charles Chaplin 1925 Posição Anterior: (74) 59
NASHVILLE Robert Altman 1975 Posição Anterior: (NEW) Qual é o tema de NASHVILLE? O filme pode ser excelente, mas responder essa pergunta é impossível. É, sobretudo um musical. É uma parábola política. Altman conta estórias interligadas envolvendo amor e sexo, corações despedaçados e remendados. E é uma perversa sátira da pegajosa cultura norte-americana. Mas acima de tudo, é um delicado poema para feridos e aflitos. 60
DIABO A QUATRO Leo McCarey 1933 Posição Anterior: (85) Em DIABO A QUATRO não há seqüências que eu possa deixar de mencionar, pois ele é engraçado do começo ao fim. Descrever enredo seria um exercício de futilidade, uma vez que o cinema dos Irmãos Marx existe em momentos, em partículas, seqüências, negócios e diálogos, e não em estórias compreensíveis. Em poucas palavras, é estrelado por Groucho Marx. 61
CONTRASTES HUMANOS Preston Sturges 1941 Posição Anterior: (NEW) 62
LOUCURAS DE VERÃO George Lucas 1973 Posição Anterior: (77) 63
CABARET Bob Fosse 1972 Posição Anterior: (NEW) CABARET inaugurou um novo estilo de filmar musicais. Até então, os diretores rodavam as cenas de dança de uma única vez, sem cortes. Gene Kelly, Fred Astaire, Ginger Rogers costumavam aparecer de corpo inteiro, dançando como se estivessem num palco. Com Fosse, entraram as cenas editadas, os closes, a coreografia feita para a câmera, pronta para ser cortada de modo que o espectador nunca tivesse a impressão de estar perdendo alguma parte do número. 64
REDE DE INTRIGAS Sidney Lumet 1976 Posição Anterior: (76) O que é fascinante em REDE DE INTRIGAS é acompanhar como o roteiro muda de andamento, suavemente, indo da sátira à farsa e chegando até as afrontas à sociedade. 65
UMA AVENTURA NA ÁFRICA John Huston 1951 Posição Anterior: (17) Humphrey Bogart ganhou o Oscar de Melhor Ator pelo papel de Charlie Allnut, o mal-humorado capitão de um barco - o African Queen do título original - que vende suprimentos para vilarejos do leste da África durante a 1ª Guerra Mundial. Katharine Hepburn vive Rose Sayer, uma missionária inglesa que escapou de um massacre e encontra ajuda na embarcação de Allnut. As bebedeiras, os maus modos e a arrogância do capitão a irritam, mas logo esta rixa se transforma em amor e juntos enfrentarão os perigos das águas e até um barco-patrulha alemão! 66
OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA Steven Spielberg 1981 Posição Anterior: (60) OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA vale por uma antologia dos melhores episódios de todos os seriados de sábado à tarde já produzidos. A estória se passa na América do Sul, no Nepal, no Egito, na Grécia, em alto-mar e em uma base submarina secreta. Envolve caminhões, escavadoras mecânicas, tanques, motocicletas, navios submarinos, cliperes da PanAm e uma asa voadora nazista. Também inclui serpentes, aranhas, armadilhas e explosivos. O herói é encurralado num ninho de cobras e a heroína se vê atacada por múmias. E ainda há o sobrenatural... 67
QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF? Mike Nichols 1966 Posição Anterior: (NEW) 68
OS IMPERDOÁVEIS Clint Eastwood 1993 Posição Anterior: (98) Will Munny é apenas um criador de porcos sem dinheiro no bolso e com dois filhos para criar. Little Bill é o xerife de Big Whiskey que, no momento, está apenas preocupado em construir sua casa, como costuma dizer. O passado não os recomenda: Munny já foi um bandoleiro sanguinário que, bêbado, não poupava mulheres nem crianças. Sobre Little Bill sabe-se menos, mas em algum momento no passado ele teve problemas não superados com um pistoleiro famoso, English Bob. Will Munny é Clint Eastwood, Little Bill é Gene Hackman e English Bob é Richard Harris. No final, pistoleiro e xerife estão frente a frente."Sou William Munny do Missouri, matei mulheres e crianças. Já matei de tudo o que anda ou rasteja, e estou aqui para matar você, Little Bill". "Os Imperdoáveis" é um filme sobre a violência, suas repercussões e o efeito que provoca naqueles a quem atinge. 69
TOOTSIE Sydney Pollack 1982 Posição Anterior: (62) 70
LARANJA MECÂNICA Stanley Kubrick 1971 Posição Anterior: (46) LARANJA MECÂNICA, o livro de Anthony Burgess, é aquele tipo de obra com o poder de marcar época. Criativo e original, chega até mesmo a criar um idioma próprio para seus personagens. Adaptar algo de tanta complexidade para o cinema requer alguém como Stanley Kubrick para fazê-lo e, assim, alcançar sua genialidade. Com todo seu perfeccionismo, Kubrick recriou esta história com sua principal característica, ironia fina e sutil, destilada cena após cena. Juntando os pontos de vistas de dois gênios, LARANJA MECÂNICA, o filme, tornou-se inesquecível para boa parte dos cinéfilos, mesclando crítica social, originalidade e o toque de classe kubrickiano. Da perversão à cura, somos todos como Alex, buscando sua ultraviolência no começo, não suportando Beethoven durante ou nos sentindo curados no final. Só que do outro lado da imagem (Carlos Massari - LBC). 71
O RESGATE DO SOLDADO RYAN Steven Spielberg 1998 Posição Anterior: (NEW) Em 1998, O RESGATE DO SOLDADO RYAN causou grande comoção pelos seus 20 minutos iniciais, tidos como os mais violentos da história do cinema. Mas há de se convir também que aquela seqüência inicial representa apenas uma parte do que realmente aconteceu no dia 6 de junho de 1944, o Dia D. Nesta batalha inicial há cenas que fizeram muita gente no cinema fechar os olhos, ou até sair da sala. Ainda na água, soldados morriam afogados tentando se livrar de todo o pesado equipamento que carregavam. Outros, eram atingidos por balas. Na terra, a coisa não estava melhor. Os alemães descarregavam sua artilharia sem piedade de dentro dos bankers (pequenas fortificações). Explosões faziam voar pedaços de americanos para todos os lados. Uma das cenas que mais marcou foi a do soldado procurando seu braço, ou então aquela em que outro leva um tiro na cabeça enquanto verificava o capacete que tinha salvado sua vida segundos antes. Ironias sem graça que só uma guerra pode produzir. Só por essa cena, vale o filme todo... 72
UM SONHO DE LIBERDADE Frank Daranbont 1994 Posição Anterior: (NEW) Sem dúvida, parece um comentário estranho de ser feito a respeito de um filme rodado dentro de uma prisão, porem UM SONHO DE LIBERDADE cria uma impressão tão calorosa em nossos sentimentos que nos transforma em membros de uma família. Muitos filmes se propõem a mostrar experiências de terceiros e rápidas emoções superficiais. UM SONHO DE LIBERDADE flui lentamente e fica à espreita. Usa a voz calma e observadora do seu narrador que, lentamente, nos leva a participar da estória dos homens que formaram atrás das grades, uma comunidade. 73
BUTCH CASSIDY George Roy Hill 1969 Posição Anterior: (50) 74
O SILÊNCIO DOS INOCENTES Jonathan Demme 1991 Posição Anterior: (65) O SILÊNCIO DOS INOCENTES é uma experiência de medo e tensão onde o diretor insere uma trama intrigante que mistura suspense e mistério tornando um filme angustiante e assustador. Um verdadeiro clássico que arrebatou 5 Oscars (Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro). 75
NO CALOR DA NOITE Norman Jewison 1967 Posição Anterior: (NEW) Cinema sem fim - Continuação...76
FORREST GUMP Robert Zemeckis 1993 Posição Anterior: (71) 77
TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE Alan J. Pakula 1976 Posição Anterior: (NEW) 78
TEMPOS MODERNOS Charles Chaplin 1936 Posição Anterior: (81) Vale o ingresso, como tudo que Charles Chaplin faz. Na época o filme foi considerado "socialista" por alguns países, sendo até censurado (incluindo Alemanha e Itália, que não escapariam do humor ácido de Chaplin em seu filme posterior: "O Grande Ditador") e não rendeu muito de imediato, mas hoje é idolatrado. Quem pensa que cinema mudo não vale o tempo e dinheiro, que assista a TEMPOS MODERNOS e perceba que a genialidade não tem data. 79
MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA Sam Peckinpah 1969 Posição Anterior: (80) Um alegre grupo de crianças brinca com formigas que devoram um escorpião. Mais tarde, outras crianças, alegres também, estarão subindo e descendo de um carro que, em cortejo lento, arrasta um homem para a morte. A violência permeia a ação da primeira à última cena, e a maneira como foi mostrada fez deste filme um marco nos anais do cinema. 80
SE MEU APARTAMENTO FALASSE Billy Wilder 1960 Posição Anterior: (93) A história de um modesto funcionário de uma empresa de seguros, que para subir na vida empresta seu apartamento para as aventuras amorosas de seus chefes. Uma crítica sagaz ao abuso de poder nas grandes coorporações, o filme nos mostra como os "menores" são usados de forma inescrupulosa. Com seu humor refinado e cínico, Wilder nos presenteia com um dos seus melhores trabalhos. 81
SPARTACUS Stanley Kubrick 1960 Posição Anterior: (NEW) 82
AURORA F. W. Murnau 1927 Posição Anterior: (NEW) AURORA venceu tempo e gravidade com uma liberdade espantosa para o cinema mudo. Quem o assiste hoje, se admira da audácia da experimentação visual desse filme. Murnau era um importante expressionista alemão e com AURORA, sua câmera cinematográfica – por tanto tempo pesada e primitiva – afinal aprendeu a voar. 83
TITANIC James Cameron 1993 Posição Anterior: (NEW) O filme, uma superprodução de 200 milhões de dólares, escrita dirigida e produzida por James Cameron bateu alguns recordes. Antes mesmo de sua premiação como o melhor filme do ano, já aparecia como a maior bilheteria de todos os tempos: 1,25 bilhão de dólares em todo o mundo. No Oscar, foram 14 indicações (mesmo número de A MALVADA, de 1950) e onze estatuetas (mesmo número de BEN-HUR, 1960), incluindo filme e diretor. TITANIC tem todos os elementos do cinemão hollywoodiano: Um dramalhão romântico que mostra a paixão avassaladora e incontrolável que surge entre dois jovens de classes sociais distintas no meio de um desastre natural.Em 1999, E O VENTO LEVOU completou 50 anos. Posso apostar que em bem menos tempo TITANIC também será lembrado como clássico e uma obra de referência histórica no cinema. 84
SEM DESTINO Dennis Hopper 1969 Posição Anterior: (88) 85
UMA NOITE NA ÓPERA Sam Wood 1935 Posição Anterior: (NEW) 86
PLATOON Oliver Stone 1986 Posição Anterior: (83) PLATOON foi um dos melhores filmes já feitos sobre a Guerra do Vietnã (e também sobre qualquer guerra). Foi o primeiro filme americano sobre o tema que deu uma idéia do que é estar bem no meio de um combate. Os heroísmos não parecem ensaiados, porque o roteirista e diretor Oliver Stone lutou realmente no Vietnã e, sendo assim, tudo é muito autêntico. 87
DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA Sidney Lumet 1957 Posição Anterior: (NEW) 12 Homens em uma sala. Eles nunca se viram e não sabem nada um sobre o outro. O presidente do Júri pergunta quem o considera culpado. 11 mãos ao alto. 1 homem, O Senhor Número 8, interpretado de uma maneira absurda, inimaginável por Henry Fonda não levanta a mão, ele não o considera culpado. Desde então, surge no filme uma verdadeira batalha de nervos, onde homens com as mais diferentes personalidades e interesses são postos num mesmo lugar, devendo decidir sobre a vida de um ser humano. Uma batalha psicológica construída meticulosamente, de modo tão incrível que é difícil imaginar como foi o processo de criação daquele roteiro, praticamente perfeito. 88
LEVADA DA BRECA Howard Hawks 1938 Posição Anterior: (97) 89
SEXTO SENTIDO M. Night Shyamalan 1999 Posição Anterior: (NEW) 90
RITMO LOUCO George Stevens 1936 Posição Anterior: (NEW) Entre todos os lugares que o cinema criou, um dos mais mágicos e duradouros é o universo de Fred Astaire e Ginger Rogers. Em RITMO LOUCO é extraordinário que nas suas vozes e movimentos eles deixem bem claro que se não podem dançar, não podem viver. Bem, talvez possam, mas haveria alguma graça nisso? 91
A ESCOLHA DE SOFIA Alan J. Pakula 1982 Posição Anterior: (NEW) 92
OS BONS COMPANHEIROS Martin Scorsese 1990 Posição Anterior: (94) Não é um clássico, mas um filme difícil de se esquecer, com algumas cenas que ficam "grudadas" na mente, e diálogos bem concisos. Nos faz ter saudade, não de uma época, mas de filmes que ainda se preocupam com o intelecto do espectador e nos fazem refletir, chocar e emocionar. 93
OPERAÇÃO FRANÇA William Friedkin 1971 Posição Anterior: (70) 94
PULP FICTION Quentin Tarantino 1994 Posição Anterior: (95) Misture um elenco de primeira linha com um direção primorosa, junte violência, drogas, roubos e diálogos extremamente elaborados; adicione uma trilha sonora com surf music e rokabillis.. está pronto a `polpa`. PULP FICTION é simplesmente o melhor filme de Quentim Tarantino, inovador, ousado e instigante. 95
A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA Peter Bogdanovich 1971 Posição Anterior: (NEW) 96
FAÇA A COISA CERTA Spike Lee 1989 Posição Anterior: (NEW) "Panfletário e político são dois adjetivos bastante associados a Spike Lee, não raro com carga negativa. Classificar uma obra com essas palavras pode ser uma maneira de irrelevar seus problemas enquanto cinema - como se filmes se resolvessem nas boas intenções e a política falasse por si, independentemente da realização. Panfletário ou político, Spike Lee sempre foi, mas seus filmes estão longe de se apoiarem preguiçosamente nessas classificações. FAÇA A COISA CERTA, obra-prima de uma carreira brilhante, é tudo isso, mas também é grande cinema, painel de um dia extraordinário em que o calor, as cores e o cheiro de um choque inevitável ultrapassam os limites da tela e atingem o espectador. A lata de lixo despedaça a vitrine e é inevitável encontrar-se pisando descalço em cacos de vidro quando o FAÇA A COISA CERTA termina" (Diego Maia - LBC). 97
BLADE RUNNER Ridley Scott 1982 Posição Anterior: (NEW) "A cidade de Los Angeles em 2019 é uma "Babel indigente", com chuva ácida no lugar do sol e replicantes produzidos à imagem e semelhança dos homens. Pelo menos é assim que ela aparece em BLADE RUNNER, de Ridley Scott, pífio de bilheteria, que virou cult e se mostra atual quase 25 anos depois de seu lançamento. Baseado na obra de Philip K. Dick, o filme é considerado exemplar da estética cyberpunk. Prefiro vê-lo como herdeiro do noir, com sua atmosfera íntima e vocação nostálgica" (Guilherme Lamenha - LBC). 98
A CANÇÃO DA VITÓRIA Michael Curtiz 1942 Posição Anterior: (100) A excelência de A CANÇÃO DA VITÓRIA reside inteiramente na interpretação de James Cagney. Ele se pavoneia mais do que dança; mas do que atuar vende ao publico seu desejo de divertir. Nas cenas de dialogo, enquanto os outros atores falam, os olhos de Cagney faíscam em direção a seus rostos, incitando-os em silencio a captarem a energia. E nos momentos de brilho Maximo de sua atuação, o espectador parece contemplar uma força da natureza. 99
TOY STORY John Lasseter 1995 Posição Anterior: (NEW) Imagine o quarto de uma criança repleto de brinquedos: soldadinhos, robôs, tanques de guerra, monstros e animais. De repente, tudo isso ganha vida própria. Essa é a idéia número um de TOY STORY. A número dois parte de uma concepção real e culmina com a engenhosidade fantástica dos roteiristas. A real: aqui a criança tem um brinquedo predileto, um cowboy chamado Woody. A fantasia: Woody e todos os outros brinquedos não admitem a chegada do astronauta Buzz Lightyear, o novo brinquedo que a criança ganhou de aniversário. A aventura tem início e os protagonistas são somente os brinquedos, tendo à frente Woody e Buzz. O primeiro leva aquilo como uma guerra territorial. O segundo tem um drama interior, pois acredita mesmo ser um astronauta e conquistador de planetas. Mais à frente revela-se sua verdadeira origem, resultando num momento bastante sublime e comovente. 100
BEN-HUR William Wyler 1959 Posição Anterior: (72) Esta obra de Willian Wyler, é a terceira versão cinematográfica de "Ben-Hur". Desta vez, com som e imagens coloridas, já que suas antecessoras (de 1907 e 1926) eram mudas e em preto-e-branco. E apesar de ter momentos lentos e nada excitantes, o filme consegue nos saborear de uma boa obra, com ótimas músicas, planos, atuações, direção e, principalmente, uma memorável cena de ação. 11.5.07
Hércules 56, a utopia revista pelos sonhadores de 69 Sílvio Da-Rin tinha 19 anos quando o embaixador americano Charles Elbrick foi seqüestrado, em 1969. O País vivia a negra noite da ditadura e muitos jovens, autointulando-se vanguarda revolucionária, partiram para a luta armada. O governo militar cedeu à guerrilha. Prisioneiros foram libertados, trocados pelo embaixador dos EUA, e um manifesto teve de ser divulgado à nação. Foi uma vitória - de Pirro, porque a ditadura se fez ainda mais violenta e, no ano seguinte, no clima da vitória da seleção no México, criou o slogan 'Brasil, ame-o ou deixe-o'. O jovem Da-Rin militava numa organização clandestina, embora não tenha tido nada a ver com o seqüestro. Acompanhou-o com apaixonado interesse. Fez dele o tema do documentário que estréia hoje.
Hércules 56 conta justamente a história dos 15 integrantes da luta armada que partiram no primeiro avião libertados em troca do embaixador. Rumaram para o México. Por que contar essa história? 'Porque ela é necessária', resume o diretor. Poucos, daqueles 15, restaram. Cinco dos seqüestradores foram reunidos pelo diretor numa discussão em torno de uma mesa. A idéia era justamente essa - juntar farto material iconográfico da época. De posse das informações, Da-Rin entrevistou os personagens do drama. Foram dez dias de filmagem. Por casualidade, o último dia caiu justamente em 8 de outubro de 2005. A data não foi escolhida pelo diretor. 'Surgiu como uma possibilidade devido à agenda dos participantes.' Mas foi justamente o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), surgido da direção da Dissidência Guanabara, o grupo que se associou à ALN, Ação Revolucionária Nacional, para realizar o seqüestro - tendo o seu manifesto divulgado, numa época em que a ditadura controlava a informação e exercia a censura dentro das redações para impedir que o que realmente ocorria no País viesse a público. Na segunda à noite, numa breve apresentação antes da exibição de seu documentário para convidados, no Unibanco Arteplex, o diretor disse que era importante resgatar essa história, até porque vivemos em tempos antiutópicos e é sempre bom recolocar em discussão a utopia de um outro mundo possível. 'Éramos todos jovens; queríamos mudar o mundo.' Mas Da-Rin não queria heroicizar seus guerrilheiros. A luta armada foi uma opção de todos, mas o seu recorte valoriza os que fazem a revisão do período, mesmo sem negá-lo. É o que dá a tônica do seu documentário. A abordagem dos anos de chumbo não é recente no cinema brasileiro. Há 25 anos, Roberto Farias fez Pra Frente, Brasil e na seqüência foram surgindo muitos filmes, documentários e ficções, abordando a luta armada e a sangrenta repressão do regime militar. Muitos desses filmes padecem de erros de direção e roteiro, mas Da-Rin prefere elogiar a criticar. Gosta do tratamento que Lúcia Murat deu a Quase Dois Irmãos, concentrando-se no ambiente da prisão. Considera Caparaó, de Flávio Frederico, o mais logrado dessa série recente de documentários sobre a luta armada - tanto do ponto de vista da revisão histórica quanto cinematográfico. Há algo comum nas abordagens de Da-Rin e Flávio Frederico. Em ambos, os personagens não renegam o passado e o olho ainda brilha de entusiasmo juvenil quando essas pessoas maduras, revisando suas vidas, não se arrependem de ter 'ousado'. O que os militantes de Hércules 56 - identificados nas fotos que integram esta edição - avaliam não é só o planejamento do seqüestro nem a sua realização, ou mesmo os percalços que suas vidas sofreram no exílio. Tudo isso está lá, mas a verdadeira discussão é outra. O diretor quis intervir o mínimo possível, mas é preciso falar da escolha do formato documentário para contar essa história. A ficção, diz Da-Rin, faz História, os filmes 'perenizam nossas representações'. E o que ele sente é que a maioria das ficções que aborda o período termina por criar um déficit de verossimilhança que afeta os códigos do realismo com os quais os diretores jogam. Sua dissertação de mestrado, transformada em livro - Espelho Partido -, procura no documentário justamente conceitos de verossimilhança e fidedignidade que o espectador encontra nos depoimentos e no tratamento conferido à imagem em Hércules 56. O filme começou a surgir em 2005. Incluiu pesquisas no exterior - França, México e Cuba - e todo um trabalho de persuasão dos envolvidos. A gravação da conversa foi a etapa mais importante. Foram quatro horas e meia de encontro, num restaurante do Rio cujos donos, Da-Rin só soube depois, eram filhos de um antigo militante. A primeira hora foi consumida no processo de aproximação. A última foi reiterativa. 'Tudo o que está na tela é basicamente resultado do miolo dessa conversa, que foi muito interessante.' O espectador interessado em entender o País em que vive, só pode agradecer. Por Luiz Carlos Merten - Estado de São Paulo 27.4.07
Jovem trio enfrenta as contradições do Brasil Triângulos amorosos em que dois grandes amigos se apaixonam pela mesma mulher são recorrentes no cinema. O caso clássico é "Jules e Jim", de François Truffaut. Na filmografia brasileira recente, temos "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, e agora "Proibido Proibir".
Não é nisso, portanto, que reside a originalidade do filme de Jorge Durán, e sim no seu enfoque de um dos grandes temas, se não o único, do cinema nacional: os impasses da classe média diante das contradições sociais do país. Os três protagonistas são estudantes de uma universidade pública do Rio de Janeiro. Leon (Alexandre Rodrigues, o Buscapé de "Cidade de Deus") estuda sociologia. Sua namorada, Letícia (Maria Flor), arquitetura. E seu amigo e companheiro de apartamento Paulo (Caio Blat) faz medicina. Na hora de colocar à prova os conhecimentos adquiridos no campus, cada um deles tem um rico corpo-a-corpo com a cidade do Rio e, por extensão, com o Brasil. E os três acabarão envolvidos numa situação crítica quando o filho de uma paciente pobre de Paulo é jurado de morte por policiais corruptos. "É proibido proibir", como se sabe, foi um dos slogans da rebelião estudantil de maio de 1968 na França e também título de uma polêmica canção de Caetano Veloso. O mote aponta para a liberdade absoluta, para a subversão de todas as normas repressivas. "Proibido Proibir", o filme, articula esse desejo transgressivo à necessidade de ação social responsável. Movidos por esse duplo influxo, os jovens do filme são um pouco como nós, veteranos, gostaríamos que todos fossem (idealizando, talvez, nossa própria juventude perdida): generosos, apaixonados, belos. A trama é muito bem construída, as situações são convincentes e os atores, não apenas o trio protagonista, defendem seus personagens com garra, em especial Caio Blat, que se afirma como um dos grandes talentos da nova geração. Merece destaque também a maneira como Durán captou a geografia carioca. Na contramão da maioria dos filmes rodados no Rio, "Proibido Proibir" praticamente passa ao largo da orla da zona sul e dos morros favelizados, espraiando-se entre o centro e os subúrbios "planos" da zona norte e destacando (graças à carreira de Letícia) marcos da arquitetura urbana, como a igreja da Penha e o edifício Capanema. O final em aberto, que não convém revelar aqui, é pleno de significado afetivo e político, sobretudo quando, já sobre os créditos, a voz roufenha de Nelson Cavaquinho canta o clássico samba "Juízo Final". Chileno radicado no Brasil desde 1973, Jorge Durán, roteirista de alguns de nossos filmes mais importantes, retorna à direção duas décadas depois de seu outro único longa, "A Cor do Seu Destino" (1986). Cabe esperar que "Proibido Proibir", premiado nos festivais de Biarritz e Havana, seja o início de uma nova e vigorosa fase. Por José Geraldo Couto - Folha de São Paulo 2.12.06
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"Capítulo 1" Publicado em 06 de Março no "Dios Mio!" por Jayme Freire, Vitória - ES - Seu sofá não tem braços - disse Antônio - Isso é porque não é um sofá - respondeu o homem a sua frente - é um divã. - Hmmm... o divã... - É. - Igual o ex-zagueiro do Vasco? - Você gosta de futebol? - perguntou o homem pronto para fazer anotações. - Não, mas o Peu gosta. - Quem é "Peu"? - perguntou novamente, desta vez escrevendo algo aparentemente ilegível para qualquer ser humano. - Meu louva-deus. Num claro sinal de surpresa o homem parou de escrever, descruzou as pernas, olhou para Antônio ali, sentado no divã (e não no Odvan), voltou a cruzar as pernas, mordeu a tampa da caneta, descruzou as pernas e as cruzou novamente. Desde pequeno considerava o "cruzar de pernas" o ato mais interessante que já pudera presenciar, talvez culpa de seus pais, que eram tremendos fãs de "Instinto Selvagem". Mas, como se isso não importasse a ninguém (e de fato não importa), Antônio voltou a falar: - Sim, eu tenho um louva-deus. Inteligente à beça, se quer saber. - Você tem um louva-deus de estimação? - Não foi o que eu acabei de dizer? - Conte-me sobre ele, então. Como é o... - Peu - completou Antônio. - Ele é um tanto temperamental, pra falar a verdade. Não consegue admitir que perde uma partida de xadrez, vez ou outra. É esquerdista fervoroso e não admite que aos louva-deus o voto ainda não seja permitido. É ateu também. Disse que o dia em que eu provar a existência de Deus ele vira apóstolo, e que só não prova que não existe por querer poupar minha mente de revelações tão grandiosas... - Certo. Agora, me diga... - Mas eu disse a ele que é bem provável que exista. Tudo bem, sei que a igreja católica anda fodendo com todo mundo ultimamente, principalmente com a parcela da humanidade que possui menos de 10 anos de idade, mas isso não desmente nada... Sabe, às vezes desconfio que ele se diz ateu só para contradizer seu pai. Ele é rígido à beça, disse que nenhum filho louva-deus dele seria ateu... e... - Tudo bem, tudo bem. - apressou-se a interromper o psicanalista - Antônio, eu queria saber qual é a sua relação com as pessoas. - Depende, com que pessoas? Se for contigo eu diria que é muito cedo pra dizer. Só te conheço há alguns minutos... - Com todos à sua volta. Como você se relaciona com as pessoas de verdade? - Não muito bem... existem alguns problemas, pra falar a verdade. - Problemas com você? - Não, eu sou normal. São as pessoas que são abertas demais, contentes demais. Elas não me entendem. - E você as entende? - Não acabei de dizer qual o problema delas? Claro que entendo... - Certo... - Sabe, doutor... acho que você precisa de um pouco de atenção médica. Já procurou um psiquiatra? ![]()
"Capítulo 1 - Final" Publicado em 23 de Abril no "Dios Mio!" por Jayme Freire, Vitória - ES Antônio e Paula viveram crises de ciúme. E passaram por elas. Depois disso viveram um romance. Apenas para voltarem a viver crises de ciúme. E passarem por elas novamente. Passaram mais seis meses juntos. Conheceram-se, mudaram, transmutaram e transformaram. Paula quebrou o Santo Graal de Jonas e Antônio flagrou André em ocasiões embaraçosas. Perceberam que eram dois despedaçados, e quando todos os pedaços dos dois, sem faltar nenhum, se ajeitaram num mesmo espaço, e as duas bocas, enquanto separadas, murmuraram bobagens importantíssimas, e os dois pensamentos conheceram juntos lugares que não existem. Paula voltou a perguntar se Antônio temia a morte, e ele voltou a dizer que não. Ela voltou a perguntar o que ele vestia, e ele sempre respondia "jeans e camiseta". E ele apaixonava-se todos os dias, pela manhã, quando acordava e ela estava ao seu lado... babando, é claro. Já conheciam cada ruga, cada pinta, cada dobra e cada fio encravado. Porém, no ponto culminante de tal paixão, Paula planejou uma mudança. Resolveu estudar em outra cidade, bem longe daquela em que a paixão vivia. E quando contou a Antônio sua decisão, ele sugeriu que continuassem a visitar lugares inexistentes, mesmo à distância. - É, se fosse fácil assim... - disse ela - pra mim... - Não sei por que se é - respondeu ele - assim. - Mas é... Mas é... Sabiam que o conquistado se dissolveria. Sabiam que duas realidades numa só não resistiria a milhares de quilômetros. Por isso a separaram. Como se corta uma folha de papel ao meio. E até hoje Antônio jura ter sido esse o som que ouviu quando Paula entrou no carro. Papel sendo rasgado. E o que era um amontoado de pedaços juntos, voltou a se desmontar. Antônio voltou a formar suas teorias nefastas sobre a humanidade e a se afastar de tudo o que era vivo e vivia. Sabia que havia muita diferença entre ser vivo e viver. E fazia questão de traçar uma linha entre ambos os atos. Mas quando perguntavam por que ele vivia assim (ou apenas era vivo assim), ele não respondia. Mas dizia a si mesmo: "distância." ![]()
"O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências de que este blog previna, trate ou cure doenças." Publicado em 19 de Novembro no "Circulando" por Cláudio Rúbio, São Paulo -SP
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"Pra viajar no cosmos não precisa gasolina" Publicado em 05 de Abril no "Pensar Enlouquece, Pense Nisso" por Alexandre Inagaki, São Paulo -SP
Marcos César Pontes, 46 anos, tornou-se o primeiro brasileiro a viajar literalmente para o espaço. Ao participar da tripulação que lançou a nave russa Soyuz TMA-8 ao espaço, fez do Brasil o 35º país a colocar um astronauta em órbita. Para que essa viagem ocorresse, o governo brasileiro pagou cerca de US$ 10 milhões aos russos, que gentilmente cederam um assento a Marcos na Soyuz por um precinho camarada (a título de comparação: o milionário Dennis Tito desembolsou US$ 20 milhões por sua viagem espacial, realizada em 2001), movidos por interesses comerciais que incluem a venda, ao Brasil, da tecnologia utilizada em motores de foguetes capazes de lançar satélites. Não discuto a necessidade dessa aquisição tecnológica, uma vez que o programa espacial brasileiro é, literalmente, um desastre (vide o acidente na Base de Alcântara no Maranhão que causou 21 mortes em 2003). Defeito colateral, no mais, gestado por anos de descaso com pesquisas científicas e tecnológicas, que fizeram com que nações que começaram seus programas espaciais na mesma época que o Brasil, como a Índia e a China, sejam atualmente capazes de produzir e lançar seus próprios foguetes e satélites (e de enviar homens ao espaço por conta própria, no caso dos chineses), enquanto ainda somos obrigados a recorrer a tecnologias de terceiros e alugar um assento numa nave espacial russa a fim de disfarçar o fracasso acachapante de um delírio intitulado "programa espacial tripulado brasileiro". Em meio a toda essa barafunda, é até compreensível ver tanta gente ridicularizando Marcos Pontes por realizar no espaço experimentos como plantar sementes de feijão em algodão (atire o primeiro meteoro quem nunca fez isso na escola primária). No entanto, vale a pena lembrar que ele é um dos mais experientes pilotos da FAB e passou por treinamentos na NASA desde agosto de 1998. E se ficou tanto tempo assim em treinamento, impute-se a culpa ao governo brasileiro que, na condição de parceiro de realização da primeira Estação Espacial Internacional, assumiu (sem cumprir) o compromisso de construir diversas peças, sendo que em troca Pontes seria enviado ao espaço sem nenhum custo adicional. Como até agora o Brasil não desenvolveu o incremento tecnológico necessário para a construção dessas peças, Pontes ficou a ver as estrelas de periscópio até que nosso governo decidisse custear uma carona com os russos. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, observa: "a associação do envio do astronauta brasileiro com o vôo do 14 Bis vai colocar em evidência que o Brasil, em cem anos, sofreu um grande atraso. Naquela época, fomos os primeiros a controlar a dirigibilidade dos balões e a levantar vôo com um veículo mais pesado que o ar, graças à iniciativa de Santos Dumont. No presente, o governo gasta US$ 10 milhões para colocarmos um astronauta no espaço ¿ sendo que mais de 30 países já o fizeram ¿, usando lançadores de outros países". Perguntar não ofende, respostas sim: vou me ufanar do quê? ![]()
"O bom, o mau... que feio!" Publicado em 06 de Março no "Filmes do Chico" por Chico Fireman, Salvador BA
Há cerca de um mês, quando Crash foi eleito como pior filme do ano pela Liga dos Blogues Cinematográficos, eu me senti orgulhoso. Fiquei orgulhoso de, além de mim, a maior parte dos meus colegas terem percebido como o filme de Paul Haggis é um embuste. O Alfred de pior filme tinha desmascarado o texto ruim de um filme que se vendia pelo quão revelador ele era, que se erguia pela denúncia da intolerância étnica e pela indignação com relação ao jogo de poder que manipula a América e o mundo. Um filme que se vendia. E para vender seu filme, o diretor de Crash, o autor de Crash jogou o mais baixo que pode: quis determinar que ninguém escapa do destino de pecar, de ser mau, de se corromper. A corrupção (não a monetária e sim a moral) é questão de tempo. Paul Haggis provavelmente acredita no que escreveu talvez por ser o caso dele. Os Estados Unidos são o país mais frágil do mundo. Haggis não teve grandes dificuldades de convencer este país de como sua história era importante. Cooptou astros diversos, de Matt Dillon a Brendan Fraser, de Don Cheadle a Sandra Bullock. Quando estreou, caiu nas graças da crítica, que enxergava no filme um exemplo corajoso de manifestação política. Este abraço a Crash somente ganhou força quando se descobriu que 2005 era um ano de contestação. Era um ano de projetos engajados, de ousadia, de posicionamento social. Um a um, caíram todos os grandes favoritos a filme do ano. Num ano em que George Clooney faz um maravilhoso libelo contra o macarthismo por que se importar com as memórias plastificadas de uma gueixa quase ocidental? Num ano em que Steven Spielberg acusa sua própria etnia de intolerância qual a relevância da história de Pocahontas? Num ano em que Ang Lee faz de um conto de amor entre dois homens uma história de amor universal seria preciso dezenas de macacos gigantes para chamarem mais atenção.
E foi este último, o tal do conto de amor, o filme que mais ousou. Ousou ao se aproveitar do que é mais formal para escrever a história mais bonita, o roteiro mais acertado, usar a câmera sem alarde. O Segredo de Brokeback Mountain ousou mostrar que não há diferenças. Foi tão bem sucedido que se pode achar dezenas de textos de homens que o defendem com paixão embora não façam a menor questão de viver ou ver algo semelhante ao que aparece na tela. Brokeback Mountain, como grande cinema que é, ultrapassou os limites da tela e cumpriu sua última função social na noite deste domingo, quando perdeu justamente para Crash o Oscar de melhor filme do ano. Foi este prêmio que escancarou o quanto ainda é insuportável ver dois homens se beijando mesmo num mundo tão moderno como o que vivemos. Na velharia que ainda domina a Academia, a corrida interior para eleger uma desculpa para não premiar o filme de Ang Lee terminou quando alguém decidiu que seria perfeito apontar o filme com maior "conteúdo social" como vencedor. Um disfarce primoroso. Esconder a homofobia - e com ela a estupidez de um grupo que já deu prêmio a Uma Mente Brilhante - por trás de posicionamento político. Que grande golpe! É realmente inacreditável perceber que a Academia não tem o menor pudor de ir contra a corrente generalizada, de parecer antiga, arcaica e burra apenas para não aceitar que um filme com temática gay pudesse ser o melhor do ano. Se George Clooney ou Steven Spielberg, ainda que eu ache seus belos trabalhos inferiores ao de Ang Lee, tivessem ganho, este texto não existiria. Seriam dois filmes honestos e, estes sim, importantes e ousados, premiados. Mas ver a aberração de Crash ganhar de um filme tão honestamente simples e imensamente superior como O Segredo de Brokeback Mountain é ter certeza de como tudo ainda continua tão errado. A festa Jon Stewart é excelente. O melhor apresentador de todos os Oscars que eu vi. Os resultados foram, de uma maneira geral, bastante previsíveis. Mais do que nunca, eu diria. Foi ruim ver a fotografia esquizofrênica de Memórias de uma Gueixa vencer, mas foi bonito assistir à belíssima trilha de Brokeback Mountain ser premiada. Os prêmios de direção de arte e figurinos não eram suficientes? E mesmo que eu prefira David Strathairn e Heath Ledger, Philip Seymour Hoffman mereceu seu prêmio. O mesmo pode ser dito de Reese Whitterspoon, num ano fraco para atrizes. George Clooney estava muito bem em Syriana, e Rachel Weisz, encantadora, em O Jardineiro Fiel. Os pecados vieram quando a os homens-bomba da Palestina perderam o Oscar para as criancinhas sul-africanas ou a montagem e o roteiro de Crash foram eleitos. E Nárnia, com seu trabalho meia-boca tirar a maquiagem de Star Wars também foi ruim. King Kong ganhou todos os técnicos deixando Guerra dos Mundos, igualmente merecedor sem um só prêmio. Um dos melhores momentos da noite foi a música do cafetão ganhar o prêmio. Ah, Brokeback Mountain levou roteiro adaptado. Que ousadia, não? P.S.: sabe Ang, eu ainda acho que você venceu. 31.10.06
SPOILER ESPECIAL: 30º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Entre documentário e Ficção, "Caminho para Guantânamo" não é só denúncia Docudrama é o termo inventado para designar aquele documentário que recorre a ferramentas dramatúrgicas para se expressar. Isso o invalida como registro da realidade? É a questão que se coloca diante de "Caminho para Guantânamo".
O filme começa mostrando três ingleses muçulmanos de origem paquistanesa, Shafiq, Ruhel e Asif, que falam direto para a câmera. Eles lembram o dia em que a mãe de Asif chegou em Tripton, cidade na Inglaterra onde eles viviam, com a notícia de que arrumaram para ele uma noiva no Paquistão. Mais um quarto amigo, Monir, eles organizam então a viagem ao Paquistão, a viagem do casamento. Transcorrem os dias pós-11 de setembro de 2001. Os Estados Unidos invadem o Afeganistão atrás de Osama bin Laden e da Al Qaeda. Não convém contar aqui como - Shafiq, Ruhel e Asif narram em detalhes - mas os três amigos acabam parando na prisão estadunidense localizada na baía cubana que dá nome ao filme. Ali ficam presos injustamente por meses, anos, sob regime desumano, e é essa experiência que motivou o diretor inglês Michael Winterbottom a contar a história dos três muçulmanos. Não convém contar, porque, como se disse, o filme tem estrutura dramatúrgica, e seria estragar surpresas antecipar esses acontecimentos. No começo ficamos em dúvida, quando Winterbottom apresenta cenas no Paquistão, nas vésperas do casamento: como foi que ele conseguiu filmar os três naquela época? Não conseguiu - as cenas são uma dramatização dos fatos. Três bons jovens atores, Riz Ahmed, Harhad Harun e Afran Usman, interpretam, respectivamente, Shafiq, Ruhel e Asif. Afeito a experimentações formais, Winterbottom mostrou em "Código 46", "Neste Mundo" e "9 Canções" que sabe muito bem misturar gêneros. Juntamente com o co-diretor Mat Whitecross, ele levou o Urso de Prata no Festival de Berlim como melhor diretor por Guantânamo. O prêmio no mais politizado dos grandes festivais europeus, de certo modo, legitima as escolhas do cineasta. O caso é que o longa é vendido como o primeiro a mostrar a realidade dentro da prisão. Não é bem por aí. A reconstituição é competente, seca, realista, mas não deixa de ser uma reconstituição. Pensar em Caminho para Guantânamo como um documentário pode ser mais problemático do que enxergar suas qualidades como drama. Sim, porque os relatos verídicos dos muçulmanos diante da câmera servem como lastro. O que vale é aquilo que Winterbottom filma na reconstituição. Ali, por se tratar de drama, ele tem liberdade de impor sua ideologia. Entra na cabeça dos personagens para mostrá-los sonhando com as pequenas conquistas e liberdades de Tripton. Registra momentos mundanos dentro das mesquitas para humanizar esse "monstro" que cresceu diante de nós nos últimos tempos, o Islamismo. E desce o pau na crueldade dos EUA. Porque Caminho para Guantânamo não deixa de ser denúncia. A boa notícia, cinematograficamente falando, é que Winterbottom, ótimo contador de histórias, aqui particularmente um ótimo narrador de thriller, não se contenta só com a denúncia. Por Marcelo Hessel - Omelete 29.10.06
SPOILER ESPECIAL: 30º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
"Serras da Desordem" é um interessante retrato cultural e geográfico do Brasil "Serras da Desordem" foi classificado pelo Festival de Gramado como Longa-metragem Documetário Ficção 35 mm. O único do "gênero", aliás. Perdoem minha ignorância ou meu conservadorismo, mas eu ainda sou daquelas que acreditam que uma classificação exclui a outra.
Não que isso faça diferença alguma prática para o Festival, já que a mostra é de certo modo unificada, e tanto os títulos de ficção como de documentário concorrem por um mesmo prêmio (o de Melhor Longa-Metragem Brasileiro). Mas, de todo modo, penso que seria mais correto chamar o filme de uma ficção (solidamente) inspirada em fatos reais. É certo que existem particularidades curiosas a serem consideradas como o fato de que os principais atores do filme representam a si mesmo nas telas: algumas das mesmas pessoas que outrora viveram os fatos narrados estão na tela para revivê-los. Mas, ainda assim, o filme não pode ser considerado um documentário propriamente dito. Outra curiosidade sobre "Serras da Desordem" é que embora o filme seja nacional, o diretor é italiano. Andrea Tonacci nasceu em 1944 na Itália e se mudou para São Paulo com quase dez anos de idade. Mas não que Tonacci precise de apresentações: é ele o responsável pelo clássico "Bang Bang" (1970), considerado um dos filmes que fizeram história no cinema brasileiro. A sua temática indígena é recorrente, uma paixão antiga do diretor que se dedicou quase uma década à pesquisa sobre a cultura indígena nas Américas. O seu "Serras da Desordem" conta a história/estória de Carapirú, um índio nômade que sobrevive a um ataque de fazendeiros e, após escapar, passa dez anos perambulando solitário pelas serras do centro-oeste. Em 1988, é encontrado a 2000 km de onde partiu. Ao ser levado para a capital do país, torna-se sensação em Brasília de imediato, causando polêmica entre estudiosos culturais. Na busca por sua identidade, Carapirú retorna ao Maranhão ao lado de seu filho, que reencontra durante o processo, mas encontra uma nova realidade, completamente diversa daquela que deixou há dez anos, e que é discrepante da sua filosofia de liberdade e da sua cultura nômade. É um interessante retrato cultural e geográfico do centro-oeste e do norte-nordeste do Brasil, especialmente da sua história cultural indígena. Um filme bem construído e bem fotografado, com direção de arte digna de nota. No entanto, ainda assim não me causou aquela sensação de estupefação e encantamento. Mas, sejamos justos, claro que aí é mais uma questão de empatia do que propriamente de qualidade cinematográfica. "Serras da Desordem" tem seu mérito e deu início à mostra do Cinema nacional no Festival de Gramado sem decepcionar. Por Fabiane Secches - Zeta Filmes 25.10.06
SPOILER ESPECIAL: 30º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Drama místico traz beleza ameaçada da Mongólia em "Khadak" Se há um cinema de ficção que pode ser qualificado de etnográfico, "Khadak", da dupla Peter Brosens e Jessica Woodworth, faz parte do gênero.
Ambientado nas estepes da Mongólia, entre nômades criadores de ovelhas, o filme se concentra no drama do atormentado jovem Bagi (Batzui Khayankhyarvaa), que, segundo a tradição. está destinado a se tornar xamã. Para a medicina, contudo, sofre de epilepsia. O conflito entre a cultura ancestral e a sociedade moderna globalizada está também no pano de fundo: sob o pretexto de que uma praga contaminou seus rebanhos, as famílias nômades têm seus animais confiscados e são removidas para um vilarejo onde funciona uma devastadora mina de carvão. Há uma analogia evidente: do mesmo modo que as tradições culturais são conspurcadas pela mentalidade capitalista urbana, a magnífica paisagem da Mongólia é agredida por horrendas minas, escavadeiras, guindastes e chaminés. Em meio à ameaça apocalíptica, emerge uma espécie de revolução de jovens, comandada por Bagi e por uma bela ladra de carvão (Tsetsegee Byamba), que lembra a Paulette Godard de "Tempos Modernos". Um tanto simplista, talvez, no modo de encarar os dilemas de um país à margem da história, "Khadak" brinda entretanto o espectador com a construção de um mundo estranho e altamente pictórico, com o predomínio das grandes extensões desertas, pontuadas por um ou outro objeto solitário. Alguns planos -como o dos móveis da família removida perdidos na imensidão- lembram a pintura metafísica de um De Chirico. Outro acerto, do ponto de vista cinematográfico, é o de entrelaçar a ação narrada com o plano dos delírios, sonhos e visões, sem distinguir uma esfera da outra a não ser pelo som. Em decorrência disso, o impacto do insólito universo criado vai muito além da "mensagem" política e ecológica do longa-metragem. Vale lembrar que o belga Peter Brosens, um dos diretores de "Khadak", ganhou em 1998 o Prêmio da Crítica da 22ª Mostra de São Paulo, por seu "O Estado do Cão". Por José Geraldo Couto - Folha de São Paulo |